"O melhor lugar do mundo é um só, perto de quem amamos" Thrity Umrigar (escritora e jornalista Indiana radicada nos Estados Unidos)
Eu estou na Índia. Cheguei a Mumbai, estado de Maharashtra, nas primeiras horas de 26 de janeiro, dia da Proclamação da República. R-DAY como eles chamam. No mesmo dia, eu viajei para Surat, cidade que fica no estado de Gujarat, para trabalhar e voltei para Mumbai na sexta-feira daquela mesma semana. Eu estou vivendo temporariamente em um hotel.
O que que eu estou fazendo aqui? Estou aqui para realizar inspeção de fabricação de equipamentos para a uma companhia de petróleo. Algo que tenho bom domínio. O trabalho em si é fácil, ou melhor está dentro do domínio. Muito embora, trabalhemos seis dias por semana, algo ao qual já não estava acostumado.
Inicialmente, tenho uma expectativa de contrato com duração de dois anos com a empresa que presta este serviço. Mas está acordado, que eu vou ao Brasil, aproximadamente, a cada 90 dias.
Estou procurando apartamento para alugar, mas o meu pensamento é não compartilhá-lo. Afinal, já sou um homem de certa idade e que não se acostuma mais a este tipo socialização. A dificuldade é que os proprietários pedem o pagamento de uma caução de cerca de três meses de aluguel, mais alguns impostos, além do valor de aluguel para o período. A empresa pela qual estou aqui, disse-me que não tem como adiantar este valor. Esta é a minha única preocupação neste momento. Preciso buscar uma solução para este problema.
A empresa local, onde estou estabelecido, me recebeu muito bem. Eles me deram um modem temporariamente. O que concorreu para eu ter um acesso facilitado à internet. Quem me conhece sabe quanto sou adepto à este veículo. Eu tenho um laptop à disposição e já tenho até um número de celular indiano. Aliás, na Índia todo mundo tem celular.
Eu ainda não tive a oportunidade de conhecer muita coisa. Mumbai é enorme, uma cidade de 19 milhões de habitantes, sendo que a grande Mumbai, oficiosamente, deve ter quase 24 milhões. A cidade tem um litoral muito extenso, mas ainda não fui ver o mar. A cidade poluidíssima. As folhas das árvores são marrons. Tem muito pombo e muito corvo em todo lugar.
Pode ser impressão minha, mas os homens comuns são meio sisudos, em geral, (claro que existem os moderninhos, ocidentalizados) vestem-se de cores pastéis e de camisa de manga comprida, independentemente da estação.. Mesmo na academia, onde vou queimar as calorias dos quitutes, isto me chamou muito à atenção, os sujeitos vão malhar de calça de moletom comprida. Há exceções, lógico. As mulheres são igualmente fechadas, mas usam um colorido lindo nos seus sarees. Elas são bonitas em seus traços, mas não são muito graciosas, muitas beiram o desengonçado. São cheias de adornos, piercings, anéis nas mãos e nos pés, brincos, estas coisas. Aliás, para a “mulherada” ocidental, isto aqui é o paraíso das bugigangas. Penso em minha filha, como ela ia se dar com tantos acessórios.
Os indianos comuns cheiram a sujo e andam com roupas encardidas ao extremo. Mesmo na fábrica, onde o comportamento é mais cosmopolita, é comum sentir-se um cheiro forte de suor nas pessoas. Não vai aqui nenhuma crítica, afinal este pode ser mais um traço cultural que eu, ignorante que sou, desconheço.
O trânsito é muito louco. As vias são no sistema que chamamos de "mão inglesa". Têm-se muitos carros, de todos os modelos e idades, motos, bicicletas e rickshaws (uma espécie de triciclo motorizado, com carroceria, que serve com táxi), aliás, "uma mão na roda" em alguns momentos. Caminhões coloridos e de todo porte. Todo mundo buzinando o tempo todo. É comum ver-se nos para-choques (não sei se é ainda assim que se escreve, sigo confuso com a reforma ortográfica) inscrições pedindo para buzinar. Vacas comumente são vistas nas ruas. Em Surat, tinha até camelos.
Os contrastes sociais são impressionantes, prédios muito altos e arquitetonicamente belos, misturados a barracos que nem de longe se aproximam aos do Brasil. Gente vivendo na rua é mais comum do que se imagina. No entanto, não se vê violência urbana. Nem assaltos, nem drogados. Raríssimas exceções. A grande maioria não tem vícios. Nota-se certa resignação. Cuidado mesmo, só com os comerciantes dos mercados, o preço pode variar de acordo com sua capacidade comunicação. O mesmo serve para os táxis.
A culinária é variadíssima e ainda não vi "bife" por aqui. A maioria é VEG e sabe fazer com verduras e legumes uma quantidade de pratos que impressiona. A comida, em geral, é apimentada e cheia de condimentos. Muitos destes temperos nos são familiares, o que muda, às vezes, é a forma de usar. Não tenho problemas com alimentação. Antes, tenho achado este exercício muito prazeroso para meu paladar, só não abuso na quantidade. Quando dá vontade de comer algo diferente, corro para as franchising da Subway, principalmente, Pizza Hut e tantas outras que a gente encontra por aqui.
Tenho ainda dificuldade em me comunicar, porque é a primeira vez que meu inglês sai da sala de aula, eu nunca tinha tido uma experiência internacional, além de que, eles realizam o idioma de um modo um tanto quanto dialetal e de sotaque extremamente marcante. Ainda assim, eu tenho feito alguns progressos. Saio, vou às compras. Já fui até cortar cabelo.
Mesmo com todas as diferenças, eu gosto de estar aqui. Com certeza,é uma terra mística. E algo que me faz sentir bem. Talvez a excitação da novidade.
Eu acho que estou indo bem. Eu faço exercícios físicos. Eu posso tomar uma cerveja de vez em quando e eu tenho um bom sono. Só acho estranho a falta de abraços. Está em mim esta coisa de abraçar e observo que as pessoas não se abraçam por aqui, salvo os rapazes jovens que andam até de mãos dadas...
Um parágrafo adicional:
Demorei pra dar termos definitivos a este texto, pois achei que podia dar contornos líricos a descrição do que vejo. Algo me sinaliza que isso se torna impossível, depois que forjamos a nossa identidade e moldamos o nosso olhar. Minha aceitação a esta nova realidade ainda é difícil e isto nada tem a ver com preconceito ou falta de consciência do que eu vim fazer aqui. Passa por uma questão íntima e visceral. É a dificuldade natural em adotar valores de um outro lugar, que só se manifesta quando não estamos fazendo turismo, mas sim interagindo diuturnamente com um novo ordenamento e estilo de vida, o qual não nos remete a qualquer pertencimento. Mas esta é tão somente a primeira impressão.Sigo observando e me observando...
Num país campeão em tributação, um espaço para usufruir o que temos de mais caro e que ainda não foram taxadas: inventividade e capacidade de se indignar.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
DO AMOR ROMÂNTICO E OUTRAS CRENÇAS
A minha solteirice tem incomodado algumas pessoas. Todo mundo que me conhece e cruza comigo ultimamente, estranha que eu queira estar solteiro.
Sempre me vi envolvido em relacionamentos duradouros, chamo duradouros cinco, seis anos de convivência, em histórias que sempre foram marcadas por muita paixão e pouco amor. De um modo geral, o meu amor por estas pessoas só se manifestou depois do relacionamento findado. Não o amor carnal, mas um amor pelo que de bonito estas pessoas têm enquanto seres humanos na sua complexidade, contradição e, sobretudo nas diferenças. Um amor pela beleza que é, mesmo que involuntariamente ou inconscientemente, aquilo de bom estas pessoas deixam no rastro da nossa estrada.
Já faz um tempo que não me dou a chance de me apaixonar. A paixão vicia. Se fui viciado boa parte da minha vida, hoje corro para léguas de distância toda vez que tenho contato com a remota possibilidade.
Não, não sou um homem frio. Com o tempo descobri que a maior parte das coisas que a gente busca na paixão, está buscando de uma forma equivocada. A gente busca no outro uma satisfação ou realização que não temos ou que não conseguimos alcançar, por diversas razões, em outra pessoa. Toda paixão começa assim e é razoável que assim seja. A gente só se aproxima daquele que tem a nos dar ou nos remete a algo. Isto é tão forte que nos leva em direção a movimentos que a gente jamais houvera experimentado. Apaixonados somos mais fortes, mais viris, mais capazes e mais cegos. A gente só vê virtudes no nosso objeto de paixão. Aí é que mora o perigo. Passada a "onda", quando a gente começa a se deparar com o humano da outra pessoa, começam os "grilos". Você não era assim no começo. Você disse que me amava. Você me enganou. Você não gosta mais de mim. Quando na verdade tudo transcorre como sempre foi.
Outro sintoma da paixão é sentimento de posse. Em geral, a gente quer aprisionar nosso objeto de desejo. Possuí-lo com se gente não fosse. Controlar. Como pode a gente querer tirar do outro aquilo que é o bem mais precioso do ser humano: liberdade?
Pessoas são para se exprimir, ir e vir, partir ou ficar se assim o quiser. Só quando a gente se dá conta disso é que, pelo menos em tese, se está pronto para o amor. Amor é sinônimo de liberdade. Havemos de amar o outro como a nós mesmos, isto sem nenhuma conotação religiosa. Aceitando, respeitando o outro como é.
Pessoas são para se exprimir, ir e vir, partir ou ficar se assim o quiser. Só quando a gente se dá conta disso é que, pelo menos em tese, se está pronto para o amor. Amor é sinônimo de liberdade. Havemos de amar o outro como a nós mesmos, isto sem nenhuma conotação religiosa. Aceitando, respeitando o outro como é.
Eu só aprendi a me amar, no sentido amplo, quando fui morar sozinho. É muito difícil a gente se auto-afagar, tolerar nossos próprios humores, nossos preconceitos e nossas carências. Que direito temos de achar que o nosso par tem esta obrigação? Foi só na vivência que pude me dar conta disso. Tão somente, aprendendo a me amar que pude compreender que tudo que vivi até hoje foi paixão.
Alguns hão de dizer, mas antigamente as pessoas se amavam mais. E eu afirmo categoricamente, alguém renunciava, muito equivocadamente, a sua própria vida para viver a do outro. Tolerar não é amar. Claro que existiram amores plenos e verdadeiros, mas não como via de regra.
Por isso amigos, optei em dar um tempo solteiro. Estou bem comigo. Estou em processo de me tornar cada dia mais feliz, porque eu intento viver um amor. Um amor que venha não pra me fazer feliz, por que feliz eu já me encontro. Um encontro com alguém que também esteja feliz a ponto de compartilhar a vida sem me atribular ou sentir-se atribulado. Sem querer que eu seja quem não sou. Que compreenda que alegrias e tristezas fazem parte. Bons e maus humores também. Que se perde. Que se ganha. Que a vida é um processo de aprendizado constante, um exercício de prazer e que o arbítrio é o maior bem que possuímos.
domingo, 22 de novembro de 2009
A MEUS AMIGOS SAGITARIANOS
Aos Filhos de Sagitário (Oswaldo Montenegro)
Era claro e sábio
Era manso, metade animal
E livre como ancião
Que já não teme o final.
E eu amava, amava
Adormecia com gosto de sal, na boca
E amava assim
Com a devoção natural
Dos deuses, dos animais
Ah! quanto tempo atrás
Ah! quantas noites passei
A galopar em você
Doce centauro, amo você
Doce centauro...
Era claro e sábio
Era manso, metade animal
E livre como ancião
Que já não teme o final.
E eu amava, amava
Adormecia com gosto de sal, na boca
E amava assim
Com a devoção natural
Dos deuses, dos animais
Ah! quanto tempo atrás
Ah! quantas noites passei
A galopar em você
Doce centauro, amo você
Doce centauro...
Amigos, neste 22/11, quando o sol entrar em Sagitário, estaremos, queiramos ou não, inaugurando um novo ciclo de vida. Creiamos ou não é tempo de expansão.
Desejo que a vitalidade e o bem estar sejam a tônica desta nossa etapa. Que nosso ciclo vital se renove e que nossa mente, renovada, possa desenvolver pensamentos transformadores e construtivos para a sociedade e o planeta. Que Júpiter nos encha de otimismo e bom humor. Que a benevolência, a tolerância e a paciência possam ser cultivadas mais e melhor em nós e no outro.
Que nossas mentes brilhem. Que façamos a diferença positiva nos perdoando, perdoando aos outros e colocando um pouco mais de compaixão nos nossos atos.
O sagitariano veio ao mundo para alegrá-lo. Torná-lo mais leve. Para abundantemente iluminá-lo.
Pensemos nisso...
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