sábado, 16 de agosto de 2014

FORTUNA



 
 
 
É aquele lapso onde o desenganado encontra o sopro de vida
Uma rua sem saída, florida com acesso local...
Aquela nesga de tempo onde se aguarda alguém tão esperado
Com coração desesperado e olhos felizes
Quando os mais desconfiados asseguram-se da veracidade do que dizes
E um filho enroscado no seu pescoço pede perdão.

É roupa básica, cara lavada, nenhum gesto estonteado de preservar apa
rências
Ritos honestos. Religião sem fausto... Corpos exaustos, ardentes de paixão
A Força contida na simplicidade, a Verdade proveniente da transparência
A música, com ou sem letra, que toca, convoca e cala fundo
A compreensão do “charme do mundo”, seus “in and outputs”
E mesmo se encontrando puto, controlar a ira para que não se fira um irmão.

É correr atrás de bola, tomar banho de mar, ser amigo das palavras, ter sucesso, ou não...
Saber-se imerso em essencial transformação a todo momento
Onde tudo é célere, tênue, inverossímil, ambíguo
Mesmo cada um com seu umbigo e provido de livre-arbítrio
Todos submetidos a imprevisibilidade democrática do tempo...

sexta-feira, 21 de março de 2014

DOS APEGOS

 
O Outono vem ratificar a impermanência
E nos ensinar a ter paciência
Para esperar o tempo da repartição dos bens
Há de se ter sabedoria para compreender seu fluxo
E não maldizer a sucessão dos ciclos
As folhas caem, pois é feita a hora
Agora é tempo de viver do que se tem...

domingo, 16 de março de 2014

FURACÃO


 















Pode-se dizer que o furacão castigou. Chegou avassalador, destruindo alicerces e verdades há tempos estabelecidas. Pelo menos três morreram, a rigidez, a resistência e o medo da entrega. Não foi possível desviar. Ventos em alta velocidade o trouxeram e quando se viu, ele havia arrancado árvores não frutíferas e semeado novas sementes, esperança, desejo, liberdade.

O furacão destruiu sentimentos confinados em certeza e desalojou a luxuosa veracidade, deixando milhares de frases prontas e meias verdade confinadas sem ter do que se alimentar.

A faixa de terra onde os alicerces estavam fincados ficou totalmente coberta de água, sofrera enchentes até a altura dos joelhos, no sábado. Chuvas fortes continuaram a cair no domingo, inundando tudo de descoberta, graça e atração.

A tempestade quando perdeu um pouco de força, já começava a dar sinais de fertilidade. Em desastre completo, o medo retirou-se, e toda a cidade dita dura, estruturada em bocas de concreto, foi totalmente destruída, enquanto a natureza clamava por festa e voo.

Voaram os telhados de zinco, a musa girava impetuosamente nas ruas de mãos dadas com a alegria. Duas pessoas morreram de amor, na cidade portuária, quando um tanque de desejo inflamou-se e os consumiu em chama e ardência. O prefeito não soube disso. Desmoronamentos, causados pela explosão, duraram dez dias e estas pessoas se possuíram com a força dos tornados.

Poucos noticiaram, nenhum especialista foi capaz de diagnosticar sua intensidade, mas autoridades de outros planos do universo determinaram a saída dos turistas e consideram a retirada de toda interferência para que o fenômeno tomasse lugar e levasse consigo tudo que não mais servia...

Os dias de reconstrução ainda estão por começar...