terça-feira, 9 de agosto de 2011

POR TODA PARTE


No claro de um dia desses
Após uma noite de tormenta
Vai voar sobre a cidade
Visitará o desconhecido
Onde não mais importará idade
Nem a dor de estar ferido
Com o sorriso largo nos lábios
Irá planar o menino

Quando tinha onze anos,
Tivera as asas cortadas
Desde então, seu voo é raso
Nem mesmo sabe o porquê
Vagará por sobre as cabeças
Bastará de estar vestido
E de rosas rotas e ensanguentadas
Forrará seu céu

Eu que tão bem não o conheço
Sei que no dia do seu arremesso
Nenhum apelo de olhos
O privará da sua sina
Não haverá lugar para palavras
E na completa falta de interjeição
Uma brisa breve, silenciosa e perfumada
Invadirá as casas.


domingo, 3 de julho de 2011

DOMINGO

Só lhe conseguiu enxergar os olhos vívidos como o desejo que despertou uma conversa quase marginal, Quando dia começava e uma noite anterior entrecortava outro lugar.
Ela disse: lindo. Ele disse-lhe um monte de coisas a julgar obscenas. Ela molhou-se. 
Parecia coisa de domingo que vai fazer chover, ainda que não seja verão.
E cavalgou o cavalo invisível. Não era.  
Pensamentos impublicáveis... Energia dentro... Relógio...
Era isso.  Um script permanentemente relatado. Percepções. Elo e Conhecimento.
Fosse à sinopse de um filme, reduzir-se-ia uma só palavra: Fogo.
Um par e seus destinos em desafio. Foco positivo. Espera.
De um lado o trompete solava quando o naipe, não metálico, era de paus.
Ele desejou queimar-se. Ela, Poder, realizar os intentos da Hora.  
Mulheres poderosas, desejosas, motivadas são sempre tão bonitas.
 (Sábado, elas marcharam numa outra cidade...).
 Sorte que a vida é uma sucessão de deliciosos imprevistos
Uma ínfima semaninha, atravessada no meio... Tudo se move.
Intercambiar-se. Ir fundo na beleza do momento. Mesmo sendo domingo
Observando melhor a vida ao redor
Excepcionalmente, surgem caminhos possíveis.
E eles, estarão indo se tocar?

Surat, 03 de julho de 2011.


segunda-feira, 27 de junho de 2011

VALEU A ESPERA


Eu esperei, imensamente, o lançamento deste CD, pois algo me assegurava que ficaria um trabalho bonito e com a qualidade que é peculiar a tudo que Manuela Rodrigues faz.  
Há em Manuela a representação de uma Bahia musical que está para além do que se comercializa por lá, uma música elaborada com letras bem construídas e mesmo quando opta pelo humor, o faz com refino. Gosto muito da forma hábil com que ela transita pelos gêneros, despida de preconceitos musicais, e faz de uma música tão executada na Bahia quanto Berimbau (quem vive lá, sabe), soar com um “que” de ineditismo impressionante. Gosto do que ouço. E ouço, corriqueiramente, pela Internet, enquanto aguardo o dia de ir à Bahia e ter o meu próprio exemplar do CD. Autografado, é claro.  
Eu estou certo de que se Manuela tivesse optado por viver no eixo Rio/São Paulo, já teria ganhado uma maior visibilidade, pois seu trabalho é original, diverso sem perder o traço da nossa musicalidade. Ela vai além de interpretar. Compõe de forma extemporânea de modo que eu gosto, minha filha também (adora Barraqueira) e minha mãe, quando a viu, perguntou: quem é aquela moça do cabelo bonito e da voz boa? Eu, doravante, responderei: esta é Manuela Rodrigues, não é “Uma outra qualquer por aí”.
De parabéns Manuela, e igualmente, todo o time que a suportou neste projeto, parceiros, músicos, arranjadores, pelo resultado colhido que denota que a “Bahia ta viva ainda lá...”


Surat, 27 de junho de 2011.