quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

PARA QUE A GENTE NÃO SE ESQUEÇA

"Toda banda tem um tarol, quem sabe eu não toco. Todo samba tem um refrão pra levantar o bloco. Toda escolha é feita por quem acorda já deitado. Toda folha elege um alguém que mora logo ao lado E pinta o estandarte de azul E põe suas estrelas no azul Pra que mudar?"
(TODO CARNAVAL TEM SEU FIM, Marcelo Camelo)  




Dez dias de caça às bruxas em várias vertentes. Na mídia e nas redes sociais, discursos rasos, discursos intransigentes, vazios e interesseiros. Uma ascensão de um legião de críticos sociais cada um "puxando a brasa para sua sardinha", ânimos exaltados, a defender e/ou exaltar seus padrinhos, tentativas de ressuscitação.
Só gente pobre morrendo...
Em dez dias, a menos que haja um outro desdobramento qualquer, tudo estará no rol dos fatos esquecidos ou de pouca relevância.
O Estado nada faz. Mostrou-se desaparelhado. Não possui um projeto social palpável para redução das desigualdades nem a médio, nem a longo prazo. E a sociedade,  desagregada, cada indivíduo pensa por e em si, se quer estará mobilizada a cobrar, daqueles que são seus representantes, ações cabíveis.
Logo se volta à estaca zero.
Daqui a pouco temos eleições. Hoje nem se pode dizer que o baiano vota mal, o leque de opções na Bahia é algo tétrico. Com o agravante que boa parte desta sociedade termina por escolher representantes que lhes prometa vantagens pessoais ou para os seus. Ideologia do "farinha pouca, meu pirão primeiro".
Penso que Esta mesma sociedade precisa apropriar-se deste momento de sobressalto e começar a rever esta falta de responsabilidade, esta inércia que é coletiva.  O comodismo barato que permitiu por décadas e ainda hoje, por outras vias, permite o desmando no qual nos encontramos.
Aliás, não. Não pensem, não falem, não atuem. Agora tudo é carnaval...

Em tempo: As "nossas" estrelas, tão bons formadores de opinião para assuntos aleatórios e alienantes, pouco se manifestaram e quando o fizeram, foi fazendo pronunciamentos simplórios, dúbios para não "queimar o filme" e manter seu status quo. E  vamos caminhando…

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

DICOTOMIA, VERBORRAGIA, ETC & TAL

"Eu juro que é melhor
Não ser o normal
Se eu posso pensar que Deus sou eu"

(Arnaldo Baptista e Rita Lee)


Tem certos dias em que penso
Que meu corpo é uma igreja
Onde um Deus livre vive comigo
Silencioso, quieto, calmo, vivo.
Que conhece cada palmo do que fui, sou e serei.
Não lhe dou pompas de rei
Não o alardeio, nem faço dele meio para ofuscar meus defeitos.
Convivemos intimamente como se fôssemos um só
Às vezes, penso que é isso.
Ele ri e chora comigo
Me  inspira a força e coragem. O abrigo
Nutre-me de bondade e até tolerância
Obviamente, nunca se espanta.
“Quando vou bar em bar, viro a mesa, berro, bebo e brigo”
Sabe-me carne, sabe-me sal, sabe-me vinho.
Intelecto, arbítrio, incoerência.
Dispo-me, verdadeiramente, diante dele.
Conservamo-nos horas em silêncio em íntimo diálogo
Numa conversa sem garganta
(Uma que emana do todo que sou)
Solitária nem sempre sóbria, quiçá sadia.
Às vezes dali de onde Ele se asila,
O vejo entristecer de me ver ficar triste
Mas eu sei que não se aflige
De que dele possa duvidar a estética
Conhece a matéria do qual sou feito
Aceita-me: errôneo, falho, com medo
Experimento que sou de sua moral
Em meio a salões iluminados
Recantos sombrios, úmidos e fétidos;
Em mim, Ele fez sua morada.
Está para além de templos e casas erguidas
É esteio. É pêndulo, fogo, estrada, caminho.

Ora, não me venham com discursos intrépidos.
Não preciso que me digam Deus quem é
Celebro-o e comemoro em conivência todos os dias
Na construção desta obra (in) perfeita com tijolos ocos
Que se sustenta, INDIVIDUALMENTE, de fé.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

POR TODA PARTE


No claro de um dia desses
Após uma noite de tormenta
Vai voar sobre a cidade
Visitará o desconhecido
Onde não mais importará idade
Nem a dor de estar ferido
Com o sorriso largo nos lábios
Irá planar o menino

Quando tinha onze anos,
Tivera as asas cortadas
Desde então, seu voo é raso
Nem mesmo sabe o porquê
Vagará por sobre as cabeças
Bastará de estar vestido
E de rosas rotas e ensanguentadas
Forrará seu céu

Eu que tão bem não o conheço
Sei que no dia do seu arremesso
Nenhum apelo de olhos
O privará da sua sina
Não haverá lugar para palavras
E na completa falta de interjeição
Uma brisa breve, silenciosa e perfumada
Invadirá as casas.