
"De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantar-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto..."
Ruy Barbosa
Como pode um homem de bigode tão farto não honrá-lo? Que saudade dos meus tempos de criança. Quando os compromissos eram selados por um fio de bigode. É verdade que os homens da minha infância, quando beiravam os quarenta, já eram homens sisudos, de pouco sorriso e muita austeridade, mas de ética forte, de palavra firme e moral elevada. Tinham lá seus atos secretos, não se pode negar, mas estes se resumiam aos atos amorosos. Possuíam siso, como dizia minha avó. Cabelos grisalhos eram sinal de respeito, de maturidade, sobriedade e experiência.
No Brasil existe uma instituição democrática, formada por homens e mulheres, eleitos pelo povo, que não podem ter menos que trinta e cinco anos, cuja principal função, no meu modesto entender, seria assegurar a legitimidade dos atos do Legislativo com vistas a tornar este um país melhor. Esta casa, formada por homens pressupostamente maduros, deveria analisar e validar os atos decisórios ao destino de um país. Entretanto há meses que nada se faz nesta casa a não ser viver uma lamacenta e deplorável comédia de costumes, desenrolada num tom satírico, amoral, de total decadência de valores e, com um agravante, nenhuma sutileza.
Na minha crença, de cidadão comum, honradez, seriedade, moral, caráter, não deveriam nunca ser relativizados, ou flexibilizados a depender de quem estivesse no centro das questões. Valores morais não podem estar hierarquicamente abaixo de uma legenda partidária ou do grau de influência do cidadão que ostenta determinado cargo. O que é que estamos assistindo? O que é que estamos mostrando para os jovens, uma grande maioria, de boa índole, que quer trabalhar honestamente e não tem empregos? Por que estão estes seres “especiais” e imunes acima do Bem e do Mal? Por que já não se importam com a opinião pública? Chegamos no limiar da decadência moral? Ou ainda temos mais algo para vivenciar? Quem está se importando com o cidadão-eleitor? Fizéssemos uma faxina naquela casa para apurar o mau uso do dinheiro público e quantos sobreviveriam? Perguntas que não calam.
Não gostaria de sujar meu blog, que construo com o objetivo de ser algo de entretenimento, reflexão e prazer, com assunto tão feio, tão execrável, mas não consigo assistir a tão grande afronta e permanecer isento. Somos responsáveis por este estado de coisa. Quer por ignorância, quer por omissão. A maioria destes elementos controlam os meios de comunicação e por conseguinte nossas opiniões. Se, ao menos, nós lêssemos mais e assistíssemos menos televisão, talvez tivéssemos uma chance. Mais a maioria é manipulada e continua elegendo delinquentes, pessoas de idoneidade questionável e os sequiosos de poder.
Vem aí mais um 7 de setembro. Minha proposta é de que a gente reflita e, sobretudo, repense que independência nós queremos dar a este país. Quem nós queremos no poder. Qual a nossa parcela de contribuição para varrer e aposentar estas pragas que corroem o sistema democrático e só legislam em causa própria, dos seus filhos, netos e até, pasmem, namorados de netas.
Você não acham que está na hora de dar um basta? Os antigos, que se respeitavam, muito mais que nós seres modernos, diziam: quem muito se abaixa, mostra os fundos. Acho que a sociedade brasileira, mais que isso, está se deixando violentar e achando isso normal.

